Abstract: A inovação é vetor-chave de competitividade e desempenho, abrangendo mudanças novas ou significativamente melhoradas em produtos, processos e arranjos organizacionais. Em empresas intensivas em conhecimento e tecnologia, a criação, seleção, implementação e aprendizagem constituem o ciclo central que conecta capacidades internas, dados e ecossistemas externos. Esta pesquisa teve o objetivo de analisar a aderência entre práticas de inovação e doze proposições teóricas (P1–P12) em uma organização de tecnologia com atuação jurídica, contábil e fiscal, usando-as como fio condutor para interpretar evidências e formular recomendações. Metodologicamente, trata-se de estudo de caso único, com triangulação de fontes (entrevista semiestruturada, documentos institucionais e evidências públicas) e análise por pattern matching e explanation building. Foram aplicadas táticas de validade e confiabilidade recomendadas na literatura de estudos de caso (protocolo, encadeamento de evidências, revisão por informante). Como principais resultados, observaram-se pontos fortes em TIC para armazenamento/gestão da informação (P4 plenamente sustentada) e uso sistemático de benchmarking (P9 plenamente sustentada). As demais proposições apresentaram evidências parciais: melhoria contínua sem rotinas/métricas formais (P1), P&D pouco institucionalizado (P2), avaliação de cliente sem telemetria/experimentos (P3), educação sem mensuração de impacto (P5), spillovers pouco demonstrados (P6), BPR localizado e sem métricas antes/depois (P7), alianças sem coopetição (P8), aceleração por parceiros sem prova de redução de time-to-market (P10), decisões de investimento sem governança de portfólio baseada em tendências (P11) e capacitação sem indicadores de eficiência tecnológica (P12). Conclui-se pela necessidade de institucionalizar ciclos de melhoria contínua, estruturar P&D com stage-gates, instrumentar produto e jornada do cliente (telemetria/A-B), criar programa educativo com avaliação de impacto, promover mecanismos de difusão/abertura, expandir BPR end-to-end, formalizar alianças/coopetição, estabelecer co-inovação com parceiros e adotar radar de tendências e conselho de investimentos com KPIs. Essas ações convertem evidências parciais em provas de impacto operacional e estratégico.
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